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Nota sobre a conjuntura – 1º trimestre de 2020

Sobre a conjuntura deste primeiro trimestre de 2020

Março de 2020

Os últimos meses foram marcados pelo acirramento das políticas anti-povo e pelo flerte do governo com a agitação golpista. Percebe-se um incremento da subordinação da economia brasileira à agiotagem do sistema financeiro, o avanço na precarização dos direitos sociais e a crescente ameaça aos direitos políticos. Crescem também as práticas machistas e patriarcais do governo e avançam os feminicídios, com apoio velado do Estado.

Neste sentido, a Coordenação Anarquista Brasileira vem a público repudiar a agitação golpista de extrema-direita e todo flerte ou ameaça com a intervenção militar ou a ditadura. Para nós, as forças armadas e policiais são do mesmo partido da ordem miserável que cala o povo pela repressão, pelas prisões e pela morte do povo negro e pobre. Somos irremediavelmente contra a presença dos militares na política, nas favelas e na ruas.

Fazemos defesa pela ação direta de massas de cada palmo de liberdades públicas e direitos políticos que foram conquistados pela ação histórica do movimento popular neste país. É preciso não ceder terreno na vida social e política do país para soluções autoritárias que atacam e reduzem o espaço arrancado pelas lutas para participação popular, nossos direitos de reunião, associação, manifestação, opinião, etc. É preciso diferenciar o valor das liberdades populares, conquistadas pelos de baixo, da governabilidade da democracia burguesa, que engendra uma forma de dominação política que impede o povo de gerir seu próprio destino. A crise política do país não será remediada pelo jogo podre da democracia burguesa, que não toca no sistema de poder político e econômico dos ricos e trai as demandas populares, que exigem uma mudança social no Brasil. Por trás das frentes parlamentares e democráticas contra o autoritarismo de Bolsonaro e sua quadrilha, se escondem práticas de conciliação burguesa e tentativas de renovar o pacto social entre burgueses e trabalhadores. Medidas que apenas renovam as ilusões, de que é possível garantir direitos e conquistas por essas vias viciadas. Necessitamos defender cada palmo de liberdade e direitos, mas a democracia burguesa não foi feita para mudar as coisas.

Contra o ajuste, o Estado policial e o governo de crise do neoliberalismo é necessário dar unidade pela luta de classes, defendendo a vida digna dos setores populares, dos povos indígenas e quilombolas em defesa de suas vidas e territórios. Construir unidade pelas relações de solidariedade e de baixo para cima, à partir dos organismos populares (sindicatos, movimentos comunitários, estudantis, camponeses, indígenas). Focar nas necessidades populares e que afetam a vida comum, denunciando a fraude burguesa que tiram as decisões fundamentais das classes oprimidas. É necessário ter o direito de tomar decisões, sem intermediários, anulando a agiotagem da dívida pública, que sequestra 50% do orçamento nacional e todas as decisões anti-povo de Bolsonaro. Anular a reforma da previdência, a reforma trabalhista e todos os cortes sociais que arrebentam sobre os mais pobres e oprimidos/as. Não podemos deixar de denunciar e combater, os defensores do neoliberalismo, seus tecnocratas, agentes financeiros, midiáticos e reacionários. Assim como, o de denunciar, qualquer tentativa pactuada de cortes de direitos com verniz social. A saída é a radicalização na ação direta das massas, nas ruas, construindo organismos populares que pautem as demandas do povo. Assim como vem sendo feito no Chile.

Convocamos toda nossa militância e apoiadores/as a cerrar fileiras na jornada de lutas das mulheres no 8 de março, na luta do 14M em memória de Marielle Franco e contra a repressão e as políticas de morte do Estado, na luta nacional pela educação e na defesa dos serviços públicos do 18 de março, contra o plano de colapso de Guedes e Bolsonaro. Colocar forças e energias para construir um movimento popular contra a pobreza e o aumento do custo de vida. Acumulando forças para uma grande revolta popular que derrote o atual modelo econômico, os abusos da repressão, o terrorismo de Estado, o massacre nas periferias contra o povo pobre e negro e a violência contra aquelas que ousam e lutam contra o sistema.

Enfrentar com energia o governo lacaio, reacionário e entreguista de Bolsonaro e suas medidas anti-povo! Não esmorecer! Lutar e resistir com greves, piquetes e paralisações!

Contra o Estado policial de Ajuste e as medidas anti-povo, luta e organização popular!

 

 

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